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stressinfantil

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LICENCIATURA EM PEDAGOGIA A DISTÂNCIA
5º SEMESTRE – EIXO V
INTERDISCIPLINA:
SEMINÁRIO INTEGRADOR V 
 
 ANNA BRANDALISE PEGORARO
CLAUDETE LOURDES BRANDALISE PEGORARO
DAIANE MATOS DE MATOS
     EDIVAN MACHADO DE OLIVEIRA
 ELAINE FÁTIMA SERENA LAZZAROTTO
     MARIA DE LOURDES FIPPIAN DOS SANTOS
 
 

 

2        DESENVOLVIMENTO

 

2.1 STRESS INFANTIL E  AS INFLUÊNCIAS

O stress é uma reação natural do organismo diante de um estimulo ou situação especial de tensão ou de intensa emoção, que pode ocorrer em qualquer pessoa, independente de idade, raça, sexo e situação socioeconômica.

O stress infantil é ainda muito pouco conhecido pela maioria dos pais, porém pesquisas nos Estados Unidos e aqui no Brasil quanto à questão do stress presente nessa fase da vida estão bem adiantadas. Alguns estudiosos que são pioneiros nas pesquisas de estresse infantil, como Grunspun, em 1980, Wolff, em 1981, Elkind, em 1982, proporcionaram contribuições consideradas de grande valia. Já no Brasil, a maioria dos estudos está centrada nos seguintes pesquisadores: Lipp e Romano; Lipp e Lucarelli, bem como Vilela, Tricoli, Pereira, Bignotto (LIPP, 2000b).

Segundo a psicóloga Lúcia Magano, psicoterapeuta corporal de crianças do Instituto de Análise Bioenergética de São Paulo (IABSP), o stress  é uma reação  de adaptação do organismo frente a situações difíceis ou excitantes do meio ambiente, ou seja, o stress é gerado diante de estímulos ameaçadores que o corpo recebe.

Vários fatores externos podem desencadear o stress infantil. Alguns exemplos são mortes em família, brigas constantes ou separação dos pais, mudança de cidade ou escola, professores inadequados, nascimento de irmãos, pressão por ter boas notas, excesso de estímulos, violência e agressão social. Estes fatores são reconhecidos pelos psicólogos como sendo fatores externos.

Porém, segundo os estudiosos o stress infantil também pode decorrer-se de fatores internos. De acordo com Lipp, Souza, Romano e Covolan (1991) as causas internas são criadas pela própria criança, ou seja, dependem da forma como a criança reage diante de situações do seu dia-a-dia, de seus pensamentos (cognição) e do tipo de personalidade. Deste modo, segundo os mesmos, podem surgir sintomas psicológicos do stress, que seriam: ansiedade, terror noturno, dificuldades nas relações interpessoais, introversão súbita, desânimo/apatia, insegurança, agressividade, choro em demasia, depressão e medo excessivo.

O estresse, portanto, pode ser o resultado de uma situação de tensão, permanente, a qual o indivíduo encontra-se submetido. Sendo assim até o bebê pode vivenciar situações que o deixem estressado, como por exemplo, não ser atendido em suas necessidades numa fase em que depende totalmente dos cuidados de um adulto.

A partir destas descobertas advindas de inúmeros estudiosos nacionais e internacionais, passamos a observar um grupo de crianças na faixa etária dos 8 aos 12 anos, (em qual escola? Em qual turma? Com quantos alunos?). Através destas observações, inúmeros fatores internos e externos puderam ser diagnósticos. Observou-se que algumas crianças apresentam as seguintes características internas:

Irritabilidade

Agressão

Choro demasiado

Desmaio

Isolamento

Medo

Na busca de encontrar uma resposta a tais atitudes, procuramos investigar através de uma conversa informal com o grupo sobre, o que eles gostariam de falar sobre sua participação no grupo da escola, no convívio familiar, com os amigos, com a professora, com os vizinhos, entre outros.

Procuramos conduzir o bate papo através da seguinte pergunta: O que o deixa mais feliz? E o que o deixa mais triste?

Constatou-se uma grande dificuldade delas expressarem seus sentimentos e suas experiências. Vejam as respostas referentes à segunda indagação;

- Eu tenho muitas coisas que me deixam triste, mas não gosto de falar da minha vida.

- O que me deixa triste é ver que o mundo está mal, tenho muito medo de tudo.

- Quando minha mãe não conversa comigo.

- Quando minha mãe sai de casa.

- Quando um amigo se recusa em ficar comigo, daí eu saio de perto e tenho vontade de chorar.

- É quando minha família fica mal.

- Eu não gosto que grite comigo, isto me deixa irritado, fico com dor de cabeça.

- O que me enche é que para algumas coisas eu sou criança e pra outras eu tenho que fazer igual os grandes.

- Eu só tenho defeito, nunca me dão elogios.

Entre as falas observou-se que havia mais tristezas do que alegrias entre eles, bem como, a influência de inúmeros fatores externos em sua vida infantil que acabavam conduzindo-os para a constituição de fatores internos. Alguns, partindo de situações exteriores passaram a demonstrar preocupação com as mudanças do seu corpo; insegurança; medo de ser ridicularizados pelos amigos; medo de punição do pai; desejo de agradar os outros; necessidade de se sentir amado; ansiedade até o ponto de desmaio e timidez.

Levando em consideração esta pesquisa, pudemos perceber através das respostas das crianças que os pais são grandes causadores do stress infantil. Isto acontece porque muitos pais acabam transmitindo-lhes as suas próprias ansiedades ou preocupações. Por isso seus filhos acabam por sofrer como eles, por viver os seus receios, dúvidas e cansaços, ou seja, as crianças acabam interiorizando os problemas de seus pais.

A família é o primeiro agrupamento em que a criança se desenvolve. Os costumes, hábitos e valores da família começam a serem reproduzidos pela criança. Suas características pessoais são formadas por meio de ensinamentos que lhe são transmitidos direta ou indiretamente nos seus relacionamentos com adultos significativos (pais, professores, irmãos, etc.), o que faz com que diante do estressor, as crianças tenham reações diferentes (Tricoli e Bignotto, 2003).

Entretanto, se fez possível concluirmos que o quadro se complica quando os problemas familiares tornam-se uma constante. Essa realidade leva as crianças a experimentarem situações conflitantes além do que são capazes de absorver. Os efeitos desse mal moderno pudemos encontrar nas crianças analisadas. Através de desequilíbrios familiares alguns de nossos alunos tornaram-se agressivos tanto em palavras como em atitudes, bem como, suscitaram sintomas de desmaios, timidez, choro demasiado e etc.

Baseando-se nos estudos de Franca e Leal (2003), estas crianças que apresentam agressividade para com os seus colegas, professores, amigos e familiares, são educadas em ambientes estressantes, e devido a esta realidade, acabam manifestando um comportamento correspondente. Desta forma, tornam-se pessoas impacientes, não conseguindo ficar muito tempo envolvidos numa mesma atividade, pergunta, e etc, bem como, não costumam ficar falando sobre suas intimidades e particularidades, já que estas, conscientemente ou inconscientemente, são conduzidas à relembrarem o seu ambiente familiar de agonia, aflição e desordenação.

 Newcombe (1999, apud Franca e Leal, 2003) também afirma que o estresse causa um certo tipo de resistentência à interação social, manifestando comportamentos que se alternam entre agressividade e esquiva. A falta de uma atitude positiva em apresentar uma orientação, comuns em ambiente familiar conturbado por consideráveis níveis de estressores sociais, provocam deficiência de auto-estima e afastamento de outras crianças, devido à grosseria na maneira de se expressar e de utilizar as palavras, já que devido à impaciência, estas crianças acabam se comunicando agressivamente e muitas vezes, agindo agressivamente.

Assim, percebemos que o estresse nasce de uma disfunção hormonal iniciada a partir de um conjunto de reações vinculadas a sentimentos como medo e alegria, que nos excita ou traz irritação. Essas sensações físicas e psicológicas são fruto de uma alteração química ocorrida dentro do nosso organismo. "O estresse pode ser uma resposta a determinados estímulos: dependendo da pessoa e da circunstância, ela pode lutar, fugir ou ficar paralisada", explica Ana Matilde Pacheco, doutora em psicologia social, do departamento de psicologia social e do trabalho, da Universidade de São Paulo.

A psicóloga Marilda Lipp, do Centro Psicológico de Controle do Stress, especializado em tratamento infantil, também comenta que fatores como baixa auto-estima e o desejo de agradar a todos também são agentes estressores infantis: "É o que acontece com muitas crianças obesas." Em sua dissertação de mestrado, a psicóloga Márcia Bignotto, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, defendeu que crianças obesas têm maior tendência a apresentar estresse do que as magras. Esta situação pôde ser diagnosticada numa das crianças observadas em nossa pesquisa, esta tinha um medo excessivo de ser ridicularizada pelos amigos; No entanto, para contornar esta situação ela passava a agradar os outros constantemente.

A estes desajustes psicológicos somam-se as dificuldades escolares e de relacionamento, conforme diagnosticamos na escola que realizamos a pesquisa.

 

 

2.2 STRESS INFANTIL E A ESCOLA

Talvez os pais não saibam, mas seus filhos podem estar stressados por causa do colégio onde estudam. Profissionais da área de psicologia são unânimes em apontar a falta de adaptação dos alunos aos métodos de ensino dos colégios como um dos principais fatores para o ingresso de uma criança em um quadro de estresse.

"Muitos colégios são excelentes, mas o aluno não consegue se adaptar e, diante das cobranças por causa de um mau desempenho, fica estressado", afirma Nívea Fabrício, do Colégio Graphein - que trabalha especificamente com alunos que tiveram problemas de adequação.

Na clínica Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento (CAD), Sílvia Amaral afirma receber crianças absolutamente estressadas e, em muitos casos, por terem dificuldade de relação com os colégios onde estudam. Muitas vezes, o estresse desaparece apenas na troca de escola.

Alguns colégios são mais inclinados ao ensino de ciências exatas e, por preferência de pais, a criança com maior inclinação para o humanismo permanece matriculada. Desta maneira, “o estresse entra no caminho dessa criança de forma quase inevitável", analisa Sílvia. Todos os profissionais, sem exceção, apontam a escolha equivocada de um colégio (seja pelo método de ensino, seja pela distância entre casa e escola) como um dos principais estímulos ao nascimento do estresse infantil.

Sendo assim, realizamos uma pesquisa em duas escolas públicas diferentes, situadas no litoral norte do Rio Grande do Sul, com crianças na faixa etária dos 7 a 10 anos de idade. Procuramos através de um diálogo informal saber qual a motivação das crianças de Terra de Areia entorno das aulas, incluindo a maneira como as matérias são repassadas a eles. Através deste propósito obtemos os seguintes resultados:

Levando em consideração esta pesquisa percebemos que nestas duas escolas do município de Terra de Areia há uma porcentagem considerável de crianças que possuem tendência a desenvolverem o stress infantil devido à maneira pelas quais os conteúdos didáticos são desenvolvidos na turma. Porém, mesmo que unindo os resultados, ruim e regular, das duas escolas, somente 5% dos alunos demonstraram insatisfação, sabemos que cada aluno possuí o seu devido valor e importância. Desta forma, mesmo com um resultado quase que insignificante frente aos os resultados de satisfação obtidos, os profissionais de educação necessitam obter maior atenção ao aplicarem os seus conteúdos, e realizar para esta porcentagem mínima de alunos uma avaliação coerente dos métodos didáticos que estão sendo empregados, para que, através da prevenção, evitemos a propagação de crianças stressadas.

Além dessa questão de métodos de ensino, a escola também pode provocar o estresse na criança por conta do próprio ambiente físico. "Isso pode ser notado de diferentes maneiras: sala de aula pequena e inadequada às atividades pedagógicas a serem desenvolvidas; pouca iluminação; material pedagógico inapropriado; banco ou carteiras desconfortáveis; excesso de ruídos"; listou Marilda no seu livro “Como Enfrentar o Stress Infantil”.

Para pesquisarmos as possibilidades de o stress infantil desenvolver-se devido à situação material da escola, uma outra pesquisa foi realizada nestas mesmas duas escolas do município de Terra de Areia. Porém, a pesquisa se deu com o intuito de construir dados referentes à recepção dos alunos entorno das estruturas físicas da instituição. Os resultados obtidos foram:

Analisando o gráfico acima, compreendemos que nas duas escolas, há a existência de crianças insatisfeitas com o ambiente físico da instituição em que estão inseridas. Quase 4% das crianças consideram ruim o ambiente físico da sua escola, enquanto 6% delas acreditam que poderia ser melhor, optando assim, pela opção regular. Como profissionais da educação, sabemos o quanto o visual influência na aprendizagem da criança. Estes seres, por possuírem a “fantasia” e o “imaginário” muito aguçado, quando se deparam com um ambiente sombrio, sem muita vida, com uma má distribuição de materiais didáticos, sofrem tendência a decair em suas criações, já que ao vislumbrar este certo tipo de ambiente, entram em conflito, já que, por estarem firmando a sua personalidade e construindo as suas concepções, quando percebem a contradição existente entre o real e o imaginário, tendem a interromper suas idéias, pelo simples fato, de que o seu mundo organizado e encantado, não condiz com o espaço que vislumbram no seu dia-a-dia. Frente a esta realidade, tornam-se crianças propicias a desenvolverem o stress infantil por não conseguirem aceitar ou regular estas contradições, bem como, encarar a realidade.

A psicóloga diz ser essencial para o tratamento das crianças a conversa com os professores. Marilda relata a existência de muitos casos em que o professor se torna fonte do estresse infantil. "Vale ressaltar que professores e pais são equiparados na geração de estresse. Em muitas ocasiões, um professor estressado transfere para a criança uma parte de seu estresse", informa.

Reforçando a constatação da Psicóloga Marilda, Patto (2000) afirma que o professor pode projetar nos alunos seus próprios complexos, dificuldades emocionais, conjugais, sociais, repetindo com a criança suas próprias experiências de uma educação equivocada ou sofrida. Isto pode causar confusão no aluno no processo de aprendizagem e a escola pode passar a ser uma fonte geradora de stress.

Uma pesquisa realizada por Lipp, Arantes, Buriti e Witzig (2002) sobre a presença de sintomas de stress infantil em 255 escolas públicas e particulares, com crianças de 7 a 14, evidenciou as constatações realizadas por Sílvia Amaral. Estes perceberam que o tipo de escola tem forte associação com o nível de stress nos alunos. Verificaram que o stress estava presente na primeira série e ia diminuindo gradativamente nas séries posteriores. Os dados destes estudiosos indicaram uma necessidade grande de se buscar meios para que as crianças sejam incluídas no sistema educacional de um modo mais adequado, evitando assim um aumento do nível de stress na vida escolar. 

Portando, evidenciando estas probabilidades descritas resolvemos, nesta mesma escola perguntar as crianças como é o relacionamento deles com a professora. Assim, nos deparamos com os seguintes resultados:

 

A tabela a cima nos mostra que quase 3% das crianças não consideram que possuem um bom relacionamento com a sua professora, bem como, 4% delas alegaram estreitar um bom relacionamento com a sua educadora. Estes resultados indicam que os professores podem não estar contribuindo para que o aluno aprenda de maneira motivadora em sua escola.

Nesta idade a criança, também, costuma cogitar referências, ou seja, fazer de certas pessoas sua fonte de inspiração. Deste modo, se um aluno que passa quase 4 horas do seu dia em contato contínuo com o seu professor não conseguir nele encontrar pontos de referência, possivelmente, irá procurar algum outro indivíduo para poder inspirá-lo. Porém, quando estes seres não conseguem corresponder as expectativas dos mesmos, ou até mesmo, se estas crianças não conseguem encontrar alguma pessoa para servir de exemplo no ambiente escolar, provavelmente, serão candidatas a desenvolverem o stress infantil, pelo simples fato de nesta fase de suas vidas, não conseguirem encontrar o seu “eu”, cogitado e reproduzido num outro indivíduo.

           Deste modo, para que a criança desenvolva comportamentos e habilidades, é preciso que esteja adaptado ao método educacional, e que o ambiente escolar não seja uma fonte geradora de stress na vida do aluno. Um fator importante no sistema educacional é o professor, principalmente nos primeiros anos de ensino.

Um levantamento foi realizado por acadêmicos da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, com o intuito de diagnosticar o que causava tensão nas crianças. Para a sua consolidação 66 crianças com sintomas acentuados de stresse foram entrevistadas. Elas revelaram aos estudantes as suas queixas mais freqüentes quanto aos professores. As lamentações declaradas por estes (as) alunos (as), quanto aos professores foram: professores nervosos, grito de professor, impaciência e falta de conversa com os alunos, instruções confusas, nunca dizer que o trabalho está bom, não conhecer os alunos direito, não deixar os alunos contarem os problemas de casa, tarefas em excesso, criar competição demais entre os colegas de turma e ser desorganizado. As queixas apontadas confirmam, portanto, que professores têm uma importância grande no desenvolvimento do estresse infantil.

Segundo Bignotto (2003), o papel dos pais contribui na prevenção do stress infantil, que deve ter início pela realização de uma análise sobre o estilo de educação que se transmite à criança, ajudando a proporcionar-lhe uma boa qualidade de vida, mediante equilíbrio e bem estar, bem como por meio de um ambiente que possibilita um desenvolvimento adequado.

 

      2.3 STRESS INFANTIL E AS CONSEQUÊNCIAS NA APRENDIZAGEM.

 

 

Bibliografia:

 

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